terça-feira, 20 de maio de 2008

Mais um curso

Ontem fui informado da data do curso que esperava frequentar. Depois de algumas semanas de espera, é já no próximo fim-de-semana que viajo para Itália para lá ficar durante duas semanas.

Esta formação vai, finalmente, proporcionar-me a promoção que ansiava e que tem vindo a ser adiada nos últimos meses. No próximo turno, já deverei ser Data Engineer, com o respectivo aumento de salário e também de responsabilidade.

Não receio esta nova fase, pois tenho trabalhado para ela, sabendo que irei ter a possibilidade de novos vôos, num futuro breve. É isso que busco, pois tenho objectivos, não só profissionais, que tenciono atingir. Com esforço e dedicação, sei que posso continuar a evoluir e a dar alegrias aos que me apoiam.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Momentos felizes

Depois de tantas peripécias para chegar a casa a tempo do casamento, pensei que iria andar ansioso nos dias anteriores à celebração mas a verdade é que aquelas 3 semanas, bem necessárias para tratar dos últimos preparativos, correram tranquilamente e chegou o dia 26 com bastante segurança no passo que iria dar. Também foi curioso que tenha passado os últimos dias sozinho na nossa casa, pois a Sofia decidiu ficar em Leiria para estar mais próxima dos detalhes que restavam (incluíndo vestido e cabeleireira). Claro que sentia saudades mas já estamos tão habituados à distância que esses dias foram passados de forma natural.

A cerimónia religiosa foi muito simples mas intensa e ficamos muito orgulhosos de como conseguimos marcar a diferença... não vou dar todos os detalhes, deixo isso para aqueles que estiveram presentes e que podem dar o seu contributo, comentando o post.
O jantar e copo-de-água também foi bastante interessante. Optamos por um local tranquilo e adequado ao número de convidados (Quinta da Ramila) e penso que foi uma excelente escolha. Comida óptima, bom serviço e surpresas agradáveis foram alguns factores que nos fizeram sentir felizes. Acima de tudo, o que importava era a companhia dos nossos familiares e amigos naquele dia tão especial e, apesar de algumas ausências importantes, conseguimos ver que todos estavam a passar bons momentos ao nosso lado. A todos, muito obrigado!
A noite de núpcias, assim como a seguinte, foi passada em Fátima, no Hotel Dom Gonçalo & SPA, num ambiente romântico e sossegado.
De seguida, veio a lua-de-mel. Ao contrário do que normalmente se faz, optamos por ficar em Portugal, seguindo para o Alto Alentejo, onde ficamos alojados nas Pousadas de Portugal, primeiro no Marvão e depois em Vila Viçosa. Mais uma fantástica escolha, sobretudo a de Vila Viçosa, onde passamos dias de pura harmonia. Eu não conhecia praticamente nada naquela região, pelo que aproveitamos para fazer o nosso tipo de férias: à aventura, embora sem descurar o conforto. Durante 5 dias percorremos toda a área circundante, visitando cidades, vilas, castelos, palácios, igrejas, conhecendo melhor a comida regional e apreciando a paisagem tranquila do Alentejo, como é exemplo a vila medieval de Monsaraz.

A verdade é que esses dias passaram rapidamente, como seria de prever, e agora estamos de regresso à rotina. A Sofia voltou ao trabalho e eu continuo à espera de notícias quanto ao meu próximo destino, depois de novos desenvolvimentos relativos ao meu passaporte. Na véspera do casamento soube que o passaporte tinha aparecido com o visto; o problema é que, uma semana antes, tinha ido dá-lo com perdido e tirar outro, para o enviar para Angola. Ou seja, agora tenho um passaporte inválido com um visto de trabalho e um passaporte válido sem visto... Não sei como vai ser resolvida a situação, pois já me informei e não há volta a dar quanto ao passaporte extraviado, já não o posso utilizar...

Também espero ir a Itália entretanto, para participar no curso que me vai permitir subir de categoria, por isso, vou aguardar para ver o que sucede...

Enquanto isso, vou fazendo, além de outras coisas, algo que me dá muito prazer: cozinhar para a minha Esposa!!!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Enfim, em casa!

Não estava a ser fácil regressar desta viagem mas, no final, lá foi possível encontrar uma solução, pelo que este post já está a ser escrito de casa...
Na verdade, o meu passaporte continua em parte incerta, dentro do labirinto que imagino ser o Serviço de Migração e Estrangeiros de Angola. Para conseguir voltar a tempo de finalizar os preparativos do meu casamento, foi necessário recorrer à Embaixada de Portugal e requerer um Título de Viagem Única (ou um salvo-conduto) para que pudesse abandonar Angola de forma legal. Na passada quinta-feira fui ao Consulado de Portugal em Angola e no mesmo dia à tarde já estava na posse do documento que me permitiria viajar. Dessa forma, na sexta-feira já estava a caminho de casa.
Mesmo assim, não foi fácil abandonar Angola, por diversas peripécias que pareciam querer indicar que o destino não estava muito de acordo... Só com persistência e bastante paciência é que tudo se resolveu. Primeiro, o responsável pela agência não atendia o telemóvel à hora que combinamos encontrar-nos no aeroporto. E era ele que estava na posse do documento, pois seria necessário um carimbo dos Serviços de Migração, algo que se revelou falso. Passada meia hora do combinado, lá conseguimos estabelecer ligação com o pessoal da agência, que, afinal, já se encontravam no aeroporto. De seguida, fui levado para uma sala VIP, enquanto tentavam perceber até que ponto o documento seria suficiente para viajar. Depois começou a aventura do check-in, em que fui sendo encaminhando para vários guichet's, passando à frente dos restantes passageiros, ouvindo reclamações, até que, por fim, decidi que iria esperar a minha vez, como qualquer outro. Ao fazer o check-in, fui informado de que o meu nome não constava do sistema informático e que só poderia viajar se pagasse uma multa por ter adiado consecutivamente a viagem. Mais um compasso de espera enquanto a minha escolta verificava essa situação, até que, finalmente, foi dada a ordem para se proceder à emissão do bilhete e embarque da mala. Com toda esta confusão, não dei conta que apenas me tinham efectuado a viagem para Lisboa, quando eu tinha reserva para o Porto.
Ponto seguinte de paragem: Serviços de Imigração. Por incrível que pareça, foi o mais fácil, porque, pelos vistos, todos os funcionários já estavam avisados da situação e não levantaram qualquer questão. Depois de estar, finalmente, sentado no meu lugar no avião, uma última "prova" de incompetência: havia outro passageiro com o mesmo lugar que eu, pelo que tive de esperar que todos os passageiros entrassem para verificar se haveria lugares vazios, o que se veio a concretizar. E então, tudo o resto correu mais calmamente, mesmo com a adversidade de ter que recuperar a bagagem em Lisboa, ter que me deslocar para o Terminal 2 por minha conta e efectuar novo check-in para a viagem para o Porto. Felizmente, o tempo entre a chegada a Lisboa e a partida para o Porto foi suficiente, senão, novo momento a pedir paciência teria sucedido...
O melhor de tudo é que já cá estou e que posso, enfim, resolver todas as questões ainda pendentes relativas ao casamento, aproveitar estas últimas semanas com a minha namorada e descansar um pouco...
Quero agradecer a todos as mensagens de apoio e cumprimentar aqueles que me têm procurado a pedir informações, prometendo-lhes que nos próximos dias irei dar novidades... Peço desculpa mas, para já, quero "curtir" um pouco o meu sofá, ver as dezenas de mails que se foram acumulando e pôr alguns assuntos em ordem.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Ainda em Angola

Depois de ter ficado na sonda à espera de notícias sobre o meu passaporte, foi decidido que seria altura de sair de lá e vir para Luanda, uma vez que os 40 dias a bordo já estavam a causar estragos no meu ânimo e concentração. Assim aconteceu, no sábado, pelo que passei este fim-de-semana na capital.
Apesar de serem umas férias forçadas, não podia deixar passar esta oportunidade para conhecer um pouco da cidade. De modo que aproveitei para fazer um pouco de praia na zona da Ilha e conhecer as locais de diversão nocturna. Foi bom descansar um pouco e relaxar dos dias de isolamento.
O stress de não saber quando vou sair daqui e voltar a casa não me saem do pensamento mas tenho tentado não me deixar afectar demasiado com esta lamentável situação que só vem corroborar o que disse anteriormente sobre a falta de organização e a burocratização das instituições. O que me deixa mais revoltado é o facto de outros colegas, que chegaram duas semanas depois de mim, já terem os vistos de trabalho e, por conseguinte, os passaportes prontos, e o meu ter, simplesmente, ficado esquecido ou perdido. A desculpa de que o sistema informático complicou a acção dos serviços não é suficiente, uma vez que outros pedidos posteriores já foram tratados.
De qualquer forma, tenho a convicção de que este problema será resolvido ainda esta semana e que poderei ainda chegar a tempo de ultimar os preparativos para o casamento. Pois, porque o meu grande motivo para sair daqui rapidamente é precisamente o compromisso que tenho em breve. Não é possível deixar de pensar que esta situação se pode prolongar e causar problemas graves aos quais não saberia a quem pedir responsabilidades.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Primavera a bordo

Apesar do dia de hoje não ter sido de boas notícias, a verdade é que, como me lembrou a minha grande amiga Claudia, hoje começa mais uma Primavera. Por sugestão dela, deixo aqui um pequeno registo do meu primeiro dia de Primavera a bordo de uma plataforma. Neste ponto do Mundo, agora começa aquilo a que se pode chamar de Outono. No Hemisfério Sul, as estações são ao contrário, mas os meus sentidos estão na parte Norte do globo. E se o tempo em Portugal começa agora a aquecer, as flores a desabrochar e a vida a renovar-se, por aqui o calor continua e continuará, pois frio é algo que nunca se sente por estas bandas e, se bem que não possa ver árvores e plantas, sei que a vida permanence bem presente, que o verde luxuriante dos trópicos não se esconde, antes se manifesta a cada passo.

Falando mais sobre aquilo que está ao alcance da minha visão, verifico que os animais marinhos prosseguem a sua jornada, tranquilos nas águas, fazendo as suas visitas constantes, dando-nos o prazer da sua companhia. Para falar verdade, os únicos seres vivos que se aproximam daqui, além dos humanos, são mesmo os peixes que, curiosos e atraídos pela luz nocturna ou pela comida despejada, tornam os nossos dias mais felizes, mostrando-nos que não somos os únicos a desfrutar daquilo que a Natureza colocou ao nosso dispor.

A minha visão pode estar limitada ao grande oceano mas o meu pensamento encontra-se no cantinho onde cresci, aquele que agora renasce de vida e de alegria. Além do mais, sei que esta Primavera vai ser especial, que a felicidade vai inundar ainda mais o meu mundo, que é o mesmo de todos aqueles que me têm no pensamento. Para todos esses, uma Feliz Primavera!

Últimos dias

Já não é a primeira vez que me acontece mas, mais uma vez, os últimos dias de estadia na sonda são de pouco trabalho, o que aumenta, ainda mais, a vontade de regressar a casa. Depois de alguns dias de intenso trabalho, com perfuração, intercalada por uma operação de coring, em que se recupera uma amostra “intacta” de alguns metros de rocha e que dá mais indicações sobre as características das formações, chega agora o momento de descanso para nós, na unidade, enquanto se aguarda pelos logs que estão a ser efectuados (wireline logging) e pela próxima fase de perfuração.

Neste interregno, está prevista a minha crew change, pelo que conto ir para casa nos próximos dias. A única coisa de que dependo, uma vez que já tenho a confirmação de que o colega que me virá substituir estará a caminho amanhã, é do visto no passaporte, pois, segundo informações da base, os Serviços tiveram problemas informáticos e ainda não deram andamento ao meu processo. Pelos vistos, a herança deixada pelos portugueses, inclui a burocracia; ao mesmo tempo que em Portugal se começa agora a inverter a tendência de burocratização em alguns sectores, por aqui ainda vigora o “(des)funcionalismo público”. O que vale é que esta será a última vez (assim espero…) que estarei dependente de vistos, aqui em Angola, pois este já será um visto de trabalho, válido por um ano e renovável.

De qualquer forma, fazendo um balanço deste mês, penso que evoluí tecnicamente, em alguns aspectos, uma vez que encontrei equipamentos novos e tive de aprender a utilizá-los, ao mesmo tempo que vi e acompanhei operações diferentes, como o coring. Por outro lado, trabalhei em condições mais difíceis do que estava habituado, o que influenciou um pouco o meu estado de espírito, embora não o suficiente para me fazer desanimar em algum momento. A minha força de vontade é superior às dificuldades e não tremo perante a dureza do trabalho que escolhi. Também tenho um motivo forte para ir embora: o evento que se aproxima a passos largos deixa-me ansioso e talvez tenha sido isso que me fez sentir um pouco mais de saudade e tensão. Saber que os últimos pormenores do casamento têm de ser tratados e eu só podendo dar opiniões e não podendo fazer muito mais, tornaram estas semanas mais complicadas. No entanto, tenho tido a felicidade de ter comunicação e conseguir acompanhar tudo. Além disso, sei que os assuntos estão entregues nas melhores mãos e que tudo vai suceder como desejamos.
Update: Logo no dia em que escrevo no blog sobre os meus últimos dias, recebo a informação de que afinal os Serviços de Migração e Estrangeiros não trataram ainda (?) do meu visto e que vou ter que ficar até dia 28 a bordo. Mas vou actualizando por aqui a situação...

sexta-feira, 7 de março de 2008

Perfuração e café

Estes últimos dias foram de algum trabalho, o que é bom, para variar. Este pensamento pode parecer estranho mas a verdade é que o tempo passa mais depressa quando há algo para fazer.
Neste poço que estão a furar, a quantidade de amostras que temos que preparar é bastante. No entanto, o intervalo de amostragem é alargado e, uma vez que não furam com grande velocidade, não é necessário ”correr” muito… Também tenho de reconhecer que a ajuda do sample catcher é preciosa e permite que me possa dedicar mais a ajudar o Data Engineer, verificando parâmetros, preparando relatórios e monitorizando o sistema de gás.
Esta imagem mostra a “lama”, com os cuttings, a chegar aos shale shakers (lembra chocolate, mas não é!). A este local dá-se o curioso nome de possum belly e é aqui que são colocados os equipamentos que nos permitem recolher dados sobre os níveis de hidrocarbonetos atravessados.

Numa unidade de Mudlogging com portugueses e/ou italianos, não pode faltar o café. Para o preparar, é necessário alguma criatividade e o pequeno fogão eléctrico em que se secam as amostras é o local apropriado para isso.

Desta vez, fui eu quem trouxe a cafeteria (oferta da Tia Alice – Obrigado, tia!), pois já sei que todos querem café mas todos esperam que seja o outro a lembrar-se!

Ao fim de um dia de perfuração, com amostras para recolher e sistema de gás para controlar, a sujidade é incontornável, ainda para mais neste caso em que a “lama” é à base de óleo. O calor que faz, principalmente nos shale shakers, também faz os seus estragos.


Nada melhor, depois de 12 horas num vai-vem constante, do que um banho morno (sim, já temos água quente…) para acalmar o corpo e um sono tranquilo para recuperar forças. Nem o barulho ou o movimento da sonda me roubam esse prazer de adormecer sentindo que valeu a pena mais um dia longe dos que amo. E que também é menos um para voltar a estar perto deles…