domingo, 21 de março de 2010

(Quase) Fim de turno

Nas últimas 5 semanas tenho estado no Congo, que é agora a minha base de trabalho. Ao contrário do turno anterior, este teve um tipo de trabalho diferente. Depois de ter passado metade na sonda voltei para a cidade em standby. O que não quer dizer que não tenha trabalhado... A verdade é que nestas duas últimas semanas suei mais do que se tivesse passado o tempo todo na sonda, a fazer o meu trabalho normal. Como continuo a receber mesmo estando na cidade, foi preciso arregaçar as mangas e ajudar no armazém e oficina. A base de Pointe Noire está em fase de mudanças e foi necessário levar todo o material dum lado para o outro, arrumar, catalogar, inventariar e reparar todos os equipamentos que utilizamos normalmente no nosso trabalho.

Se é verdade que não tenho feito os meus treinos regulares, também não deixei de fazer exercício, embora diferente. Levantamento de caixas e equipamentos, essencialmente, é esse o motivo pelo qual não posso dizer que parei de me exercitar. Claro que devo ter perdido alguma da resistência que ganhei mas espero recuperar o tempo perdido assim que volte a casa.

Com um horário de trabalho do tipo "escritório", tenho o sábado à tarde e o domingo livre, por isso hoje é dia de relaxar. A semana passada ainda dei uns mergulhos na piscina (noutra casa porque esta não tem...) e hoje só não vou até à praia porque, infelizmente, a época das chuvas está aí e não parece querer dar tréguas.

Será já na próxima quarta-feira que irei de viagem para casa, para o que espero sejam 5 semanas de descanso.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

De volta ao Congo

Depois de estar em casa há quase 5 semanas, está a chegar o momento de voltar ao trabalho.
Tal como da última vez, irei para o Congo. A viagem está já marcada para o dia de Carnaval, chegando a Pointe Noire na manhã seguinte.

Segundo as informações que tenho, desta vez irei para uma sonda em terra, trabalhar para a ENI. Não é que me importe de estar com os pés firmes em terra, mas a verdade é que já me habituei ao trabalho offshore e a experiência mostrou-me que a vida é mais agradável no meio do mar do que na selva, principalmente ao nível das condições de alojamento e refeições, já para não falar do facto de não ter que viajar todos os dias para chegar ao local de perfuração...

Outra coisa que me deixa um pouco desiludido é o facto de ainda não saber se vou ter condições para continuar os meus treinos, numa fase em que, apesar de alguma preguiça em casa, estou a começar a ver resultados e a sentir-me preparado para enfrentar as primeiras provas. Não quero perder ritmo e ganhar novamente quilos mas tenho esperança de que alguma solução se arranje, quanto mais não seja correr à volta do acampamento.

As comunicações também não devem ser tão boas mas isso é algo a que me adapto facilmente. No fim de contas, vai ser bom ter mais uma nova experiência.

Quanto a estas semanas em casa, devo confessar que 5 semanas, por pouco que pareça, é bastante, até um pouco demais. Ou era eu que já estava habituado a rotações de 3 semanas e agora me sinto desorientado por me ver em casa sem saber o que fazer com o tempo, ao mesmo tempo que a preguiça se apodera de mim. Claro que agora vou sentir que o tempo nunca mais passa, no trabalho, e esse é o reverso da medalha. Tudo acabará por correr bem, eu sei, mas não consigo deixar de pensar que este é mesmo o espírito humano: nunca estar satisfeito! A verdade é que estou. Tudo tem melhorado na minha vida e não tenho razões para me queixar, olhando para o mundo, com as crises, desastres naturais e tudo o que as pessoas têm que passar para aguentar mais um dia, inclusive no Congo...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Azurite

Bem sei que já não escrevo há bastante tempo mas a verdade é que não havia nada de novo para contar. Apesar de ter dito no último post que seria a última vez que iria para a Dinamarca, a verdade é que voltei para a Endeavour mais uma vez, no fim de Outubro e início de Novembro.

Durante esse turno, surgiram então as novidades, pois fui convidado a trocar a Europa, onde há pouco trabalho neste momento, pela divisão da África Subsaariana. Não disse nada entretanto pois esperava por confirmação da transição. Entretanto, tudo se precipitou e, nesta altura, já estou integrado na equipa desta região.

Mais de um ano depois, cumpre-se finalmente o meu desejo de regressar a África. O país que me acolhe para já é a República do Congo. A viagem realizou-se no passado dia 5 (Porto – Lisboa – Paris – Kinshasa – Brazzaville – Pointe Noire) e, contra as expectativas, acabei por ficar em Pointe Noire alguns dias. Apesar de não ter dado para passear muito nos 2 dias em que estive na cidade, deu para perceber que os contrastes africanos também aqui se encontram presentes. Num futuro próximo conto ter oportunidade de explorar melhor a cidade, pois fiquei a saber que é normal termos alguns períodos de standby durante as 5 semanas em que é suposto estarmos ao serviço de cada vez.

Finalmente, na quinta-feira fiz a viagem para a sonda, que neste caso não se poderá considerar como tal, uma vez que o Azurite é um navio, que, pela primeira vez na indústria, contém perfuração, produção, armazenamento e descarga de petróleo (FDPSO – Floating Drilling, Production, Storage and Offloading). Já existiam os FPSO (Floating Production, Storage and Offloading) mas este veio revolucionar a exploração petrolífera em águas profundas, com a instalação de uma torre de perfuração no meio do navio.

Escusado será dizer que este navio único, para já, no Mundo, é gigantesco, se comparado com a maior parte das instalações offshore, com mais de 300 metros de comprimento. Neste momento, a profundidade de água é de cerca de 1400 metros e estamos a cerca de 80 milhas da costa, em pleno Oceânico Atlântico. A esta região atlântica dá-se o nome sugestivo de Mer Profonde, pelo que mais nada será preciso dizer quanto à aventura em que estou envolvido.

Para já, posso dizer que a experiência tem sido interessante, apesar do pouco trabalho que tive até agora. Como será fácil de compreender, as coisas por aqui são feitas com precaução e tudo leva o seu tempo. Nada que me preocupe demasiado, tendo em conta que tenho um bom acesso à internet e ar condicionado na unidade. Por isso, não me está a custar a passar o tempo. Claro que preferia estar em casa nesta altura, ou então ter uma janela de oportunidade de passar, quanto mais não fosse, a passagem de ano em casa, uma vez que o Natal está fora de hipótese. De qualquer forma, tenho viagem de volta marcada para o dia 10 de Janeiro e é com essa data que conto. Já estou preparado para passar as festas fora mas se tiver uma boa surpresa, melhor.

Por enquanto, vou pensando no meu primeiro Natal “tropical”. Tendo em consideração que estou num navio, até parece um cruzeiro…

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Mais uma falta

Enquanto que, por casa, os políticos se batem por um lugar no poleiro, eu assisto via internet aos debates, às querelas, às provocações e evoluções, ao mesmo tempo que cumpro mais um turno, que já vai em mais de meio, com mais que fazer que nos últimos. O que é bom é que é no mesmo sítio, num que já conheço bem e ao qual já me adaptei. Deverá ser a minha última viagem para aqui mas as surpresas acontecem.

Não vou poder exercer o meu direito de voto (ou dever) mas espero que os porugueses que possam, não fiquem em casa e contribuam para uma melhor democracia. Não interessa a cor política, o que importa é que os políticos vejam que somos nós quem manda.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Ouro negro

Black Gold, no original, é uma nova série sobre o mundo da perfuração de petróleo. Ainda não sei se irá passar em Portugal e muito menos em que canal, embora seja a Discovery Channel a transmitir um pouco por toda a Europa, muito em breve. Aqui na Dinamarca estreia dia 25.

Pelo que já vi e li, esta série é mais virada para a realidade da perfuração no Texas, ou seja, será uma série à americana, com muito sangue e suor, bastante violência e espectáculo. Claro que essa não é bem a realidade na Europa e um pouco pelo resto do Mundo, mas ainda há sítios em que a vida humana é desvalorizada em prol da busca pelo ouro negro.

Também há alguns aventureiros por estas bandas mas, em grande parte, todo o trabalho é efectuado com rigoroso controlo de segurança, com apertadas medidas de protecção.

No entanto, será interessante, para quem goste de perceber um pouco mais sobre estes assuntos, ver como funciona a perfuração e quais são alguns dos perigos e rotinas desta indústria.




Eu sou um fã dos roughnecks, pois são eles quem sua e quem "d
á o litro" durante 12 horas seguidas, 7 dias por semana, estando expostos a todo o tipo de adversidades. Mesmo assim, e em especial aqui no Mar do Norte, há muito poucos acidentes e, geralmente, com pouca gravidade. Com a experiência, as empresas foram aprendendo formas de evitar contrariedades e oferecem um ambiente relativamente seguro para quem aqui trabalha.

O meu trabalho é mais protegido, dentro de uma unidade com aquecimento e ar-condicionado. Só em situações de problemas técnicos é que fico mais exposto aos elementos. Até hoje, nunca tive nenhum incidente, a não ser uns pequenos cortes e queimaduras, que são normais.

Vendo o trailer desta série, fico ainda com mais vontade de me proteger sempre, assegurando que volto a casa são e salvo no fim de cada viagem.

Desta vez, estou novamente a ter um turno sossegado e sem grandes correiras. Apenas duas noites de perfuração e agora já lá vão quase duas semanas com a preparação para colocar o furo em produção. A uma semana de voltar a casa, já começo a contar os dias. E já está próximo mais um regresso.

sábado, 4 de julho de 2009

Endeavour

Esta palavra, traduzida para português, tem como significados palavras como esforço ou empenho. Também se pode definir como empreender. Todos estes termos me dizem muito. São, acima de tudo, um modo de vida.

Durante o tempo em que tenho andado nesta indústria, tenho dedicado muita da minha energia em torno do empenho nas minhas funções, com o objectivo claro de evoluir, aprender sempre mais, desenvolver as minhas capacidades, crescer. Isso não se faz sem algum (bastante, até) esforço. Passar metade do ano longe de casa, da família e dos amigos, trocar de horários constantemente, etc., são sacríficios que tenho que fazer.
Tudo isto exige que esteja sempre em alerta máximo, para absorver o máximo de informação e para poder estar no sítio certo, à hora certa.

Este "empreendimento" que tenho feito, todo o esforço e empenho que tenho posto nas minhas acções, começam a dar os seus frutos.
Nesta viagem, que agora vai a meio, fui finalmente promovido, voltando a estar na posição para a qual estava já preparado há mais de um ano.
Apesar de me ter apanhado de surpresa, no meio de despedimentos e duma crise que parecia estar também contra mim, foi com grande alívio e alegria que recebi a notícia. Duas semanas depois de ter ido para casa, fui contactado para voltar ao Energy Endeavour, onde já tinha estado antes, mas desta vez como Junior Data Engineer.

Felizmente, o trabalho não tem sido muito, pelo que está a ser um início bastante tranquilo, com tempo para aprender.
Estar a trabalhar de noite, ainda para mais sozinho na unidade, tem sido a pior parte. Claro que tenho ocupado bem o tempo, de forma a que não pense muito nas férias que se aproximam.

De resto, a normalidade da vida na sonda: boa comida, boa dormida e, acima de tudo, para mim, neste momento, um excelente ginásio, com sauna incluída. A esse nível, estou cada vez mais confiante e o meu corpo começa a reagir positivamente. Agora é só continuar a treinar, cada vez com mais intensidade, para tentar atingir mais e mais.

Claro que este pensamento se aplica a tudo o resto: Empenho e Esforço, sempre!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Últimas semanas

Depois de ter estado alguns dias em Esbjerg, lá acabei por ir para a sonda, no dia previsto.

Já me tinham dito (tal como referi antes) mas nunca esperei encontrar tantos portugueses no Mar do Norte. A verdade é que a bordo do Noble Byron Welliver, cerca de 70% (estimo eu) da equipa de perfuração, bem como alguns membros da manutenção e catering, são "tugas". Por isso, a vida a bordo durante as duas semanas que lá estive, foi agradável. Como a presença nacional é tão vincada, até a televisão nos presenteava com a emissão da RTP Internacional, pelo que até vi a final da Taça em directo... O facto de poder falar mais constantemente em português também foi um ponto positivo, depois de vários meses sem companhia lusófona.

Além deste pormenor curioso, posso afirmar que este foi o turno mais divertido que tive. O trabalho não era pouco mas nem por isso deixei de gostar das semanas que passei naquela sonda. A equipa com quem trabalhei teve um papel fundamental para que o tempo decorresse da melhor forma. Pessoas descontraídas, divertidas, motivadoras, fizeram com que se conseguisse suportar o trabalho duma forma mais natural. Sem nunca colocar em causa a qualidade do nosso trabalho, que de resto foi elogiado por várias chefias, foi possível ter um excelente ambiente, com animadas tertúlias a preencherem os tempos "mortos".

A sonda, em si, também merece uma menção. A qualidade e variedade da comida, a simpatia e camaradagem de todos, as condições oferecidas (internet, telefone, sala de jogos com bilhar, matraquilhos e setas, TV no quarto, etc...) fizeram desta uma experiência nota 5!

Por último, enquanto lá estive, finalmente surgiu a motivação para um projecto constantemente adiado, por preguiça, em grande parte. Decidi voltar a pôr-me em forma, com o intuito de cumprir um desafio: Meia-Maratona. Se vou ter condições para o realizar, ainda não sei. Mas posso garantir uma coisa: esforço e persistência. Essas são duas características minhas, às quais não renegarei.

Agora de regresso a casa, estou a implementar um programa de treino pessoal, sem tentar saltar etapas. Aos poucos chegarei mais longe: na vida e na saúde!

Quando voltar ao trabalho, espero poder continuar a ter boas experiências e a seguir a luta pelos meus objectivos, que estão traçados e escritos.