sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Regresso marcado

Ontem ficou decidido quando será o meu regresso a casa. O Natal será passado a bordo e irei (se o helicóptero puder cá chegar...) no dia 27 para Aberdeen. Por já ter marcado o voo para casa no dia 30, e que é complicado antecipar, a opção vai, assim, passar por ficar o fim-de-semana em Aberdeen. Já aqui referi que não é fácil conseguir usufruir das viagens para visitar os sítios por onde passamos (embora eu não me possa queixar muito...), pelo que, desta vez, terei a oportunidade de ver um pouco da Escócia, pelo menos o Nordeste. É lá que se encontra o Loch Ness e uma pequena parte das Highlands, por esta altura cobertas de neve, segundo dizem. Apesar de preferir voltar cá um dia acompanhado pela minha cara-metade, não posso deixar de aproveitar para dar uma olhada por estas paisagens místicas e históricas. Claro que vai depender do tempo que fizer mas já ando a preparar um passeio de domingo. Também tentarei conhecer um pouco da cidade, onde sei existirem alguns museus. O apartamento da companhia está estrategicamente localizado no centro de Aberdeen e não será complicado chegar aos pontos-chave a visitar.

Para já, vou passando estes dias sossegados a tentar aprender mais sobre a unidade, esperando desde já para ver como será o Natal por estas bandas.

Caso não volte a falar-vos por este meio nos próximos dias, desejo a todos um FELIZ NATAL, junto (ou nem tanto) dos que amam! Eu, por mim, longe ou perto da vista, eles cá estarão sempre no meu pensamento e coração.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Mar do Norte

Esta deve ser a primeira das muitas passagens pelo Mar do Norte que irei fazer. De repente, dou comigo num ambiente agreste, em condições difíceis, com o vento gelado do norte a assobiar, as ondas a tentar virar a plataforma, numa altura do ano em que o que é bom é estar com os pés à lareira, ou num paraíso tropical a beber mojitos ou caipirinhas, e o que sinto é uma calma imensa, por saber que estou aqui porque escolhi estar...
Apesar das dificuldades, a verdade é que a vida a bordo do Byford Dolphin me parece bastante agradável, do ponto de vista das horas de lazer: a comida é excelente, com muita variedade, os quartos são bons, com TV incluída, as salas de recreação são confortáveis, existe um ginásio, as comunicações com o resto do mundo não são difíceis e, mais importante, o pessoal é simpático e atencioso. Tendo em conta o péssimo tempo que faz por estas bandas, só assim é possível que equipas suportem as 12 horas diárias de trabalho.
Quanto a mim, o meu trabalho aqui não será muito, uma vez que o grande objectivo desta viagem é aprender a utilizar o novo sistema, nesta nova empresa. Como é meu hábito, vou tentar absorver o máximo de informação, de forma a poder estar mais confiante para os próximos projectos.
Apesar de não ter uma data definida para voltar, guardo uma secreta - agora não tão secreta... - esperança de estar em casa a tempo de abrir os presentes. Que o Universo nos escute!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Em Aberdeen

Depois de alguns atrasos, marcações e remarcações, finalmente viajei ontem para Aberdeen. O meu destino é o Mar do Norte, ao largo da Escócia, para ficar em treino na sonda, durante tempo indeterminado.
Para já, deixo aqui só esta informação, uma vez que daqui a pouco parto para o heliporto. Prometo dar mais detalhes nos próximos dias.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Mudanças

Já há algum tempo que não escrevia nada. Um pouco por preguiça, mas em grande parte porque as mudanças por que atravesso no momento assim o obrigaram. Não quis revelar antes que tudo estivesse concluído mas a verdade é que a minha vida profissional levou uma actualização. Há algum tempo atrás surgiu uma oportunidade de mudar de empresa. Depois de reflectir e de verificar se as condições eram favoráveis, decidi aceitar. Por isso é que neste momento estou oficialmente a trabalhar para a International Logging, recentemente adquirida pela Weatherford, uma das maiores companhias de serviços na indústria petrolífera.

Entretanto, já me desloquei até Plymouth, Inglaterra, local em que se encontra a sede, para assinar o contrato e participar numa formação básica. Foi uma semana agradável, apesar do frio e chuva. A cidade é tranquila, apesar de cinzenta, fazendo lembrar o Porto. A marina, o farol, a Universidade e as igrejas são locais com uma aura mística, cada um à sua maneira, e o moderno centro comercial mostra que a cidade não ficou parada no tempo.

Na realidade, esta oportunidade vai fazer com que desça um pouco na hierarquia do mudlogging, uma vez que vou voltar a recolher amostras (por alguns meses...). No entanto, julgo que este é um passo adequado, pois preciso aprender o novo sistema e adaptar-me a todas as características da nova unidade. Às vezes, é bom dar um passo atrás para poder dar dois à frente com mais segurança. Além do mais, as condições financeiras são mais vantajosas, bem como as perspectivas de crescimento na empresa.

Neste momento, encontro-me em casa, à espera de informações quanto à minha próxima viagem.

Apesar de todos os contratempos a que fui obrigado, não posso deixar de agradecer a todos na Geolog, principalmente aos colegas que sempre me trataram com respeito e profissionalismo, mas também a todos os que me deram a oportunidade de crescer, de começar uma carreira cada vez mais aliciante.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Eleições

Na passada sexta-feira, aqui em Angola, realizaram-se as segundas eleições legislativas livres, desde a independência do país, 16 anos depois das primeiras, que ocorreram num clima de tréguas, durante uma guerra que despedaçou muitas famílias e um país riquíssimo em recursos naturais. Depois dessas primeiras eleições, a guerra voltou e, dessa forma, o governo encontrou uma desculpa para não realizar nova consulta popular durante todo este tempo, alegando não existirem condições para que o processo decorresse de forma democrática e livre. A partir de 2003, reestabeleceu-se a paz e foram precisos mais 5 anos para que, finalmente, o dia chegasse.

O povo respondeu em massa, segundo rezam as crónicas, mas o resultado parece-me, a mim que não tenho nada a ver com isso, desapontador. Uma maioria esmagadora de um partido, tirando, mais uma vez, o espaço a debate e a confronto de ideias e ideais. Para nós, que vivemos numa democracia mais livre, não é concebível que haja um poder absoluto, sem possibilidade de oposição. Mesmo que seja a vontade popular, condicionada ou não por questões que limitam a liberdade de expressão daqueles que têm convicções ou propostas diferentes, esta não será a opção que trará o progresso e evolução pela qual eles mesmo anseiam. A sensação que me dá é que a maioria da população votou no partido do poder como forma de agradecimento por ter colocado um fim na guerra, preferindo ignorar as atrocidades cometidas por todas as partes durante o conflito.

A máquina democrática continua a precisar de ser construída e apenas as próximas gerações poderão mudar a situação, pois não terão a vivência traumática da guerra, limitadora de consciências e mentalidades. Uma mudança profunda na sociedade angolana só poderá suceder quando houver lugar para um debate sério e sem vícios, e quando a população estiver preparada para compreender a importância da pluralidade num sistema que se diz democrático.

É claro que isto são apenas as minhas opiniões, porque a minha esperança é que, já neste ciclo legislativo, seja possível ver uma mudança de orientação daqueles que foram mandatados para decidir os destinos dos angolanos. Julgo ser necessário um milagre, pois deixar de olhar para o nosso umbigo dá trabalho e poucos ou nenhuns estão disponíveis para isso.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Savana

Pode parecer que desapareci do mapa mas a verdade é que já pareço o Wally: não é fácil encontrarem-me no mapa… Depois de ter saído de Angola, no fim de Julho, cheguei a casa e parti, passados alguns dias, de férias: primeiro, para o centro do país, para uns dias de praia e sol, em família; depois para o norte, para um belo descanso romântico a dois, com muito passeio, belas paisagens transmontanas e dias de relaxamento bem merecido, principalmente pela minha outra metade, depois de um ano feliz mas duro…

Mal terminaram esses dias, foi tempo de voltar ao trabalho, e desde há pouco mais de uma semana que me encontro de volta a Cabinda, para mais um turno. Desta vez as coisas não estão tão tranquilas mas, mesmo assim, não me posso queixar de excesso de trabalho… Vai dando para fazer um pouco de tudo, entre trabalho e descanso.

Do que me tenho apercebido mais é da bela paisagem que nos rodeia. As surpresas estão em cada local. Descobri que por aqui há milhares de teias de aranha espalhadas pelo capim, que só se conseguem ver no início do dia, quando a neblina matinal as tinge de branco; também por todo o lado se podem vislumbrar colónias de formigas, em forma de cogumelos, esculpidas com a terra, lembrando-nos que a natureza tem caprichos que nem sempre estão visíveis para nós. Infelizmente não tenho fotos porque estou sempre no caminho de/para a sonda e com os saltos na estrada torna-se impossível...

E, por fim, voltei a ver aquele pôr-do-sol que me fascinou da primeira vez, assim como os primeiros raios de luz do dia o fazem. O jogo de cores por entre a neblina faz-me lembrar os documentários sobre a vida selvagem que me davam vontade de viajar pela savana. E agora aqui estou eu, a desfrutar daquilo com que apenas sonhava há bem pouco tempo atrás. Só faltam os leões e os elefantes...

sábado, 12 de julho de 2008

Um dia bala!

Durante um mês, os dias são todos muito parecidos. Quando um chega ao fim, enquanto não adormeço, penso no que se passou e a conclusão é quase sempre a mesma: este dia foi bala!!

Para que se perceba o que quero dizer com isto, passo a relatar. A alvorada é por volta das 4:40, para mata-bichar; depois disso, vem a viagem no machimbombo, que dura cerca de 40 minutos, por uma picada aberta no meio do capim. Chegando ao local de trabalho, são 12 horas de concentração, embora o kizomba e outros ritmos que os meus cambas pôem a tocar transforme a unidade num local agradável. Também existem dias de giboiar mas a responsabilidade que tenho não me permite desleixo. No entanto, faço tudo com gosto. Aqui não há pessoal malaike que nos fatigue e é possível bumbar sem grande stress. O almoço é às 12 horas e o pitéu é galinha, todo o santo dia. Às 18 horas, chegam os back-to-back, a gente tira o pé e é tempo de mais uma viagem no uaua. Claro que este tempo todo faz com que se chegue no cubico bem cungado. Ao jantar, a dioba é saciada com algo mais reconfortante. Dois dedos de xanxa, para ajudar a digestão, precedem a hora de dar um ducho, de matar as saudades de casa e, finalmente, campar.
Eu e os meus cambas na unidade

Acho que fui claro e que devem concordar que um dia destes é balazo! Principalmente porque é um a menos…