quinta-feira, 12 de junho de 2008

Passeios

Durante as duas semanas que durou o curso que frequentei em Milão, tive a oportunidade de aproveitar um fim-de-semana de folga, ainda para mais alargado, pois no dia 2 de Junho foi feriado em Itália.

Assim, ficou decidido (com os outros dois colegas portugueses) irmos até Lugano, na Suiça, no sábado. A cidade não é nada de espectacular mas há coisas a destacar, como a limpeza das ruas e o respeito das pessoas. A marginal do Lago Lugano é agradável, mas o momento alto ocorreu, literalmente, nas alturas, quando subimos o funicular de San Salvatore. A paisagem vista de lá do cimo do monte era deslumbrante, embora o dia nublado não permitisse aproveitar muito. No entanto, valeu a pena, quanto mais não seja pela viagem.

No dia seguinte, ficamos por Milão, a descansar. Mesmo assim, fomos dar um passeio pela cidade, pois decorria nesse dia o final do Giro D'Italia. O centro da cidade fervilhava de energia, com espectáculos ao vivo, o movimento dos adeptos do ciclismo misturado com os turistas e os locais. Além de tudo o resto, o Museo Civico di Storia Naturale encontrava-se aberto, sem pagamento de entrada, pelo que aproveitamos para o visitar.

No feriado, a visita foi, desta feita, ao Lago Como, no norte de Itália. O tempo pregou uma partida e a chuva marcou o dia. Talvez por isso, não fiquei entusiasmado com o local, referenciado como um dos de eleição para as férias dos italianos e outros turistas. Pode ser que durante o Verão seja mais atractivo... De qualquer forma, existem algumas curiosidades, como o pontão em que os casais colocam cadeados a selar o seu amor.

Nessa noite, tive, ainda, a oportunidade de assistir na Piazza Duomo a um concerto de Andrea Boccelli, com orquestra e amigos. O ambiente estava fantástico, com a praça lotada. Claro que eu pouco vi para o palco, mas o ecrã gigante permitia acompanhar bem de perto o concerto. Fica o exemplo para o nosso país, onde as manifestações culturais gratuitas são muito limitadas e, geralmente, confinadas à cultura pop. Esta até pode ser a minha preferida, mas também gostava de ver espectáculos diferentes, como o que assisti em Milão.

E assim foi um fim-de-semana diferente, bem passado, mesmo tendo em conta que me faltava uma metade, aquela com quem partilho tudo...

Aprendizagem

Desde que me conheço que acredito que se aprende mais praticando. Em tudo o que faço, tento adquirir capacidades e conhecimentos no dia-a-dia do trabalho. Todas as oportunidades são boas para evoluir e todos os dias são aproveitados para descobrir algo novo ou desenvolver novas aptidões.
Quando comecei neste trabalho, tinha as bases de geologia mas não sabia nada de equipamentos de perfuração, pouco de mecânica e electricidade. Por isso, o curso inicial foi importante para poder desempenhar as funções a que me propunha. Mesmo assim, foi durante os primeiros turnos que cresceram os meus conhecimentos desta indústria e, em particular, das diferentes situações que ocorrem durante a perfuração.
Nesta altura, mais de um ano depois de ter iniciado, sabia que estava preparado para assumir mais responsabilidades. Sendo assim, foi uma questão de tempo até ter a oportunidade de fazer um curso mais desenvolvido, onde poderia aprender mais como funciona a nossa unidade de trabalho, em termos de hardware, das relações entre os sensores e o nosso sistema de aquisição e tratamento dos dados. Não posso dizer que não tivesse já alguma informação consolidada sobre estes assuntos mas estas duas semanas de formação vieram assentar ideias e preparar caminho para poder ir para o terreno com mais confiança. De toda a formação que tive até agora, neste trabalho, esta foi a que mais me agradou, pois permitiu-me perceber como desempenhar as minhas funções sem me preocupar com surpresas. Se cumprir certas tarefas básicas, o meu trabalho fica facilitado.
Tal como disse no início, o melhor treino é a prática mas sinto que agora vou estar mais preparado para superar dificuldades, para contornar problemas e para resolver situações de stress.
Agora é só esperar pela chamada para começar mais esta etapa da minha vida. Para já, vou aproveitar este tempo de descanso...

terça-feira, 20 de maio de 2008

Mais um curso

Ontem fui informado da data do curso que esperava frequentar. Depois de algumas semanas de espera, é já no próximo fim-de-semana que viajo para Itália para lá ficar durante duas semanas.

Esta formação vai, finalmente, proporcionar-me a promoção que ansiava e que tem vindo a ser adiada nos últimos meses. No próximo turno, já deverei ser Data Engineer, com o respectivo aumento de salário e também de responsabilidade.

Não receio esta nova fase, pois tenho trabalhado para ela, sabendo que irei ter a possibilidade de novos vôos, num futuro breve. É isso que busco, pois tenho objectivos, não só profissionais, que tenciono atingir. Com esforço e dedicação, sei que posso continuar a evoluir e a dar alegrias aos que me apoiam.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Momentos felizes

Depois de tantas peripécias para chegar a casa a tempo do casamento, pensei que iria andar ansioso nos dias anteriores à celebração mas a verdade é que aquelas 3 semanas, bem necessárias para tratar dos últimos preparativos, correram tranquilamente e chegou o dia 26 com bastante segurança no passo que iria dar. Também foi curioso que tenha passado os últimos dias sozinho na nossa casa, pois a Sofia decidiu ficar em Leiria para estar mais próxima dos detalhes que restavam (incluíndo vestido e cabeleireira). Claro que sentia saudades mas já estamos tão habituados à distância que esses dias foram passados de forma natural.

A cerimónia religiosa foi muito simples mas intensa e ficamos muito orgulhosos de como conseguimos marcar a diferença... não vou dar todos os detalhes, deixo isso para aqueles que estiveram presentes e que podem dar o seu contributo, comentando o post.
O jantar e copo-de-água também foi bastante interessante. Optamos por um local tranquilo e adequado ao número de convidados (Quinta da Ramila) e penso que foi uma excelente escolha. Comida óptima, bom serviço e surpresas agradáveis foram alguns factores que nos fizeram sentir felizes. Acima de tudo, o que importava era a companhia dos nossos familiares e amigos naquele dia tão especial e, apesar de algumas ausências importantes, conseguimos ver que todos estavam a passar bons momentos ao nosso lado. A todos, muito obrigado!
A noite de núpcias, assim como a seguinte, foi passada em Fátima, no Hotel Dom Gonçalo & SPA, num ambiente romântico e sossegado.
De seguida, veio a lua-de-mel. Ao contrário do que normalmente se faz, optamos por ficar em Portugal, seguindo para o Alto Alentejo, onde ficamos alojados nas Pousadas de Portugal, primeiro no Marvão e depois em Vila Viçosa. Mais uma fantástica escolha, sobretudo a de Vila Viçosa, onde passamos dias de pura harmonia. Eu não conhecia praticamente nada naquela região, pelo que aproveitamos para fazer o nosso tipo de férias: à aventura, embora sem descurar o conforto. Durante 5 dias percorremos toda a área circundante, visitando cidades, vilas, castelos, palácios, igrejas, conhecendo melhor a comida regional e apreciando a paisagem tranquila do Alentejo, como é exemplo a vila medieval de Monsaraz.

A verdade é que esses dias passaram rapidamente, como seria de prever, e agora estamos de regresso à rotina. A Sofia voltou ao trabalho e eu continuo à espera de notícias quanto ao meu próximo destino, depois de novos desenvolvimentos relativos ao meu passaporte. Na véspera do casamento soube que o passaporte tinha aparecido com o visto; o problema é que, uma semana antes, tinha ido dá-lo com perdido e tirar outro, para o enviar para Angola. Ou seja, agora tenho um passaporte inválido com um visto de trabalho e um passaporte válido sem visto... Não sei como vai ser resolvida a situação, pois já me informei e não há volta a dar quanto ao passaporte extraviado, já não o posso utilizar...

Também espero ir a Itália entretanto, para participar no curso que me vai permitir subir de categoria, por isso, vou aguardar para ver o que sucede...

Enquanto isso, vou fazendo, além de outras coisas, algo que me dá muito prazer: cozinhar para a minha Esposa!!!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Enfim, em casa!

Não estava a ser fácil regressar desta viagem mas, no final, lá foi possível encontrar uma solução, pelo que este post já está a ser escrito de casa...
Na verdade, o meu passaporte continua em parte incerta, dentro do labirinto que imagino ser o Serviço de Migração e Estrangeiros de Angola. Para conseguir voltar a tempo de finalizar os preparativos do meu casamento, foi necessário recorrer à Embaixada de Portugal e requerer um Título de Viagem Única (ou um salvo-conduto) para que pudesse abandonar Angola de forma legal. Na passada quinta-feira fui ao Consulado de Portugal em Angola e no mesmo dia à tarde já estava na posse do documento que me permitiria viajar. Dessa forma, na sexta-feira já estava a caminho de casa.
Mesmo assim, não foi fácil abandonar Angola, por diversas peripécias que pareciam querer indicar que o destino não estava muito de acordo... Só com persistência e bastante paciência é que tudo se resolveu. Primeiro, o responsável pela agência não atendia o telemóvel à hora que combinamos encontrar-nos no aeroporto. E era ele que estava na posse do documento, pois seria necessário um carimbo dos Serviços de Migração, algo que se revelou falso. Passada meia hora do combinado, lá conseguimos estabelecer ligação com o pessoal da agência, que, afinal, já se encontravam no aeroporto. De seguida, fui levado para uma sala VIP, enquanto tentavam perceber até que ponto o documento seria suficiente para viajar. Depois começou a aventura do check-in, em que fui sendo encaminhando para vários guichet's, passando à frente dos restantes passageiros, ouvindo reclamações, até que, por fim, decidi que iria esperar a minha vez, como qualquer outro. Ao fazer o check-in, fui informado de que o meu nome não constava do sistema informático e que só poderia viajar se pagasse uma multa por ter adiado consecutivamente a viagem. Mais um compasso de espera enquanto a minha escolta verificava essa situação, até que, finalmente, foi dada a ordem para se proceder à emissão do bilhete e embarque da mala. Com toda esta confusão, não dei conta que apenas me tinham efectuado a viagem para Lisboa, quando eu tinha reserva para o Porto.
Ponto seguinte de paragem: Serviços de Imigração. Por incrível que pareça, foi o mais fácil, porque, pelos vistos, todos os funcionários já estavam avisados da situação e não levantaram qualquer questão. Depois de estar, finalmente, sentado no meu lugar no avião, uma última "prova" de incompetência: havia outro passageiro com o mesmo lugar que eu, pelo que tive de esperar que todos os passageiros entrassem para verificar se haveria lugares vazios, o que se veio a concretizar. E então, tudo o resto correu mais calmamente, mesmo com a adversidade de ter que recuperar a bagagem em Lisboa, ter que me deslocar para o Terminal 2 por minha conta e efectuar novo check-in para a viagem para o Porto. Felizmente, o tempo entre a chegada a Lisboa e a partida para o Porto foi suficiente, senão, novo momento a pedir paciência teria sucedido...
O melhor de tudo é que já cá estou e que posso, enfim, resolver todas as questões ainda pendentes relativas ao casamento, aproveitar estas últimas semanas com a minha namorada e descansar um pouco...
Quero agradecer a todos as mensagens de apoio e cumprimentar aqueles que me têm procurado a pedir informações, prometendo-lhes que nos próximos dias irei dar novidades... Peço desculpa mas, para já, quero "curtir" um pouco o meu sofá, ver as dezenas de mails que se foram acumulando e pôr alguns assuntos em ordem.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Ainda em Angola

Depois de ter ficado na sonda à espera de notícias sobre o meu passaporte, foi decidido que seria altura de sair de lá e vir para Luanda, uma vez que os 40 dias a bordo já estavam a causar estragos no meu ânimo e concentração. Assim aconteceu, no sábado, pelo que passei este fim-de-semana na capital.
Apesar de serem umas férias forçadas, não podia deixar passar esta oportunidade para conhecer um pouco da cidade. De modo que aproveitei para fazer um pouco de praia na zona da Ilha e conhecer as locais de diversão nocturna. Foi bom descansar um pouco e relaxar dos dias de isolamento.
O stress de não saber quando vou sair daqui e voltar a casa não me saem do pensamento mas tenho tentado não me deixar afectar demasiado com esta lamentável situação que só vem corroborar o que disse anteriormente sobre a falta de organização e a burocratização das instituições. O que me deixa mais revoltado é o facto de outros colegas, que chegaram duas semanas depois de mim, já terem os vistos de trabalho e, por conseguinte, os passaportes prontos, e o meu ter, simplesmente, ficado esquecido ou perdido. A desculpa de que o sistema informático complicou a acção dos serviços não é suficiente, uma vez que outros pedidos posteriores já foram tratados.
De qualquer forma, tenho a convicção de que este problema será resolvido ainda esta semana e que poderei ainda chegar a tempo de ultimar os preparativos para o casamento. Pois, porque o meu grande motivo para sair daqui rapidamente é precisamente o compromisso que tenho em breve. Não é possível deixar de pensar que esta situação se pode prolongar e causar problemas graves aos quais não saberia a quem pedir responsabilidades.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Primavera a bordo

Apesar do dia de hoje não ter sido de boas notícias, a verdade é que, como me lembrou a minha grande amiga Claudia, hoje começa mais uma Primavera. Por sugestão dela, deixo aqui um pequeno registo do meu primeiro dia de Primavera a bordo de uma plataforma. Neste ponto do Mundo, agora começa aquilo a que se pode chamar de Outono. No Hemisfério Sul, as estações são ao contrário, mas os meus sentidos estão na parte Norte do globo. E se o tempo em Portugal começa agora a aquecer, as flores a desabrochar e a vida a renovar-se, por aqui o calor continua e continuará, pois frio é algo que nunca se sente por estas bandas e, se bem que não possa ver árvores e plantas, sei que a vida permanence bem presente, que o verde luxuriante dos trópicos não se esconde, antes se manifesta a cada passo.

Falando mais sobre aquilo que está ao alcance da minha visão, verifico que os animais marinhos prosseguem a sua jornada, tranquilos nas águas, fazendo as suas visitas constantes, dando-nos o prazer da sua companhia. Para falar verdade, os únicos seres vivos que se aproximam daqui, além dos humanos, são mesmo os peixes que, curiosos e atraídos pela luz nocturna ou pela comida despejada, tornam os nossos dias mais felizes, mostrando-nos que não somos os únicos a desfrutar daquilo que a Natureza colocou ao nosso dispor.

A minha visão pode estar limitada ao grande oceano mas o meu pensamento encontra-se no cantinho onde cresci, aquele que agora renasce de vida e de alegria. Além do mais, sei que esta Primavera vai ser especial, que a felicidade vai inundar ainda mais o meu mundo, que é o mesmo de todos aqueles que me têm no pensamento. Para todos esses, uma Feliz Primavera!