terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Atrasos

A minha próxima viagem vai ser, como previsto, para Angola. Antes de ter vindo da última "missão" disseram que talvez tivesse de ir no dia 1 de Fevereiro para esta. No entanto, isso não se concretizou, e ainda bem, porque com tanto que tinha para fazer em casa, apenas 5 dias não davam para nada... A viagem foi, então, adiada para dia 12, ou seja, amanhã. Mais uma vez, essa data foi descartada alguns dias depois. Dia 14 era a data real, com voo marcado e tudo organizado. Hoje de manhã, novo mail dá a indicação que problemas com o visto obrigam a novo adiamento, desta feita para o dia 18. Veremos o que dá e se será mesmo esta a data correcta...
Todos estes adiamentos e, em bastantes situações, falta de organização e de timming, deixam-me descontente e tornam a minha vida uma roda viva, pois nunca sei quando vou ou quando venho, o que posso fazer enquanto estou em casa, para quando organizar algo... Enfim, estou já habituado mas causa sempre transtorno e obriga-me a pensar bem no dia de hoje para não deixar para amanhã algo que depois não poderei fazer...
Neste momento, são as preparações para o casamento que nos preocupam. Tivemos que fazer um esforço grande para entregar os convites todos nestas semanas (os que faltavam, claro) e para tratar de todos os assuntos que não poderiam ficar atrasados. Como sempre, conseguimos resolver praticamente tudo, sendo que estes dias extra em casa nos permitem terminar algumas coisas.
Tento sempre tirar partido de todas as situações e, estes adiamentos, apesar de não ajudarem a ter uma vida estável, proporcionam a oportunidade de resolver assuntos que de outra forma, iria ter que delegar. Além disso, vou passar o Dia dos Namorados em casa, o que é óptimo!!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Dia de viagem

Chegaram ao fim mais 28 dias longe de casa. É chegado o momento de voltar. E isso acontece esta tarde, espero eu... Estou neste momento à espera do helicóptero que nos vai transportar até Ravenna. Dali vou até Milão ou Bolonha, onde passarei esta noite. Amanhã por esta hora, espero estar a viajar para Lisboa...
Estes últimos dias foram de descanso, felizmente, depois de um fim-de-semana bastante atribulado e com muito que fazer...
Agora que volto a casa, reconheço que este não foi um turno fácil, apesar de os dias complicados não terem sido muitos. De qualquer forma, é mais cansativo estar em offshore do que em terra. O facto de estarmos confinados a um espaço tão curto, limita-nos e obriga-nos a estarmos focados, o que se revela uma tarefa árdua. Admito, no entanto, que a experiência não me desagradou de todo. Apesar de não ser total, a comunicação com o mundo exterior é possível, o que alegra um pouco os nossos dias.
Como já tenho conhecimento do próximo destino, que será numa plataforma offshore em Angola, sinto-me preparado para o desafio, depois de ter tido a oportunidade de descobrir como é a vida apenas com o mar no horizonte.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Vida de plataforma

A vida a bordo de uma plataforma como esta em que me encontro é um pouco diferente daquela que tinha nas sondas em terra. Primeiro porque a vista é completamente distinta e apenas o mar se encontra à nossa volta; depois, porque o espaço é limitado, o que faz com que estejamos sempre em contacto com tudo o que se passa no Rig Floor, ou seja, sabemos sempre quais são as operações a decorrer, mesmo que estejamos nas acomodações. Apenas no quarto não contactamos visualmente com os acontecimentos, o que é natural. Os dias decorrem calmamente, uns com trabalho a mais, compensando aqueles em que a espera faz o turno parecer ainda mais longo…
Um dos colegas que trabalha comigo tirou umas fotos nos primeiros dias (eu não trouxe a máquina porque não sabia se me deixavam trazê-la a bordo…) e aproveito para vos mostrar um pouco do local em que me encontro. A primeira apresenta uma visão da plataforma, vista do barco que nos trouxe. A segunda mostra a forma peculiar como somos içados a bordo. Na última, podemos ver a unidade a ser transportada para o seu destino final a bordo. Ou seja, nestas condições, um dos trabalhos fundamentais por aqui é o de gruísta, uma vez que tudo tem de ser movimentado num espaço curto e só a utilização de várias gruas o permite.


Depois de um pouco mais de duas semanas, começo já a pensar no regresso, até porque tenho novidades à espera em casa. Aliás, a grande novidade é mesmo a casa, a NOVA casa. Estou já a contar os segundos para fazer as mudanças e instalar-me no espaço que eu e a minha “cara-metade” escolhemos para passar os próximos anos das nossas vidas! Mas já estou a divagar…

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

No Adriático

Neste momento encontro-me a bordo do Ocean King, no Mar Adriático, tal como havia esperado. A única diferença para aquilo que anunciara é que estou em águas territoriais croatas e não italianas. Além disso, a viagem foi no dia 27, depois de ter passado o Natal em casa. Saí do Porto à uma da manhã para poder embarcar no avião com destino a Bologna às 08:00. O dia foi, portanto, longo, tanto que ainda tive de ir de comboio mais duas horas até ao próximo destino, Ravenna, uma cidade costeira italiana, onde se situa a base operacional para este trabalho.
Na manhã seguinte, dirigi-me, com os restantes colegas, para a base, para podermos embarcar para a plataforma. A viagem foi efectuada de barco e durou cerca de duas horas. O meu estômago não se portou lá muito bem mas, felizmente, não ocorreu nenhuma descarga ao mar.
A primeira tarde e a manhã seguinte foram de adaptação, uma vez que a unidade ainda se encontrava no navio, à espera de ser colocada no seu local. Assim, foi possível, com tempo, conhecer os “cantos à casa” e perceber como funcionava tudo, desde as refeições à lavandaria. Os dias seguintes foram mais ocupados, com a montagem de todos os sensores e colocação da unidade em estado operacional.
As primeiras noites foram um pouco complicadas: além de ter pouco tempo para dormir, também não estava ainda ambientado ao constante barulho e tremideira. Agora já durmo um pouco melhor, embora não seja tanto quanto deveria.
A entrada no novo ano foi brindada, não com champagne, mas sim com frio… Enquanto toda a tripulação festejava na cantina (toda a sonda estava deserta!!!), a nossa equipa estava à porta da unidade, a levar com o vento gelado vindo de Norte, apenas fazendo um pequeno intervalo no trabalho para ficar a ver o fogo de artifício que, a mais de 70km de distância, era possível ver na costa da Croácia. Devo dizer que, apesar de não ser o Reveillon que esperava, foi especial à sua própria maneira! Já agora, aqui ficam os meus votos de um 2008 em grande para todos!!
Neste momento, o trabalho estabilizou e posso dizer que já estou a ficar familiarizado e adaptado a esta vida no mar. As condições não são perfeitas mas também nunca esperei um cruzeiro de 5 estrelas…

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Belo Natal... ou não!

Pois é, a vida dá voltas que às vezes nos parecem inconcebíveis... Depois de ter estado 3 meses em casa (apesar dos cursos que fui fazendo, entretanto), acabei por ser chamado para o próximo turno. E, qual "cereja no topo do bolo", marcaram-me a viagem para dia... 24 de Dezembro!! Pelos vistos, as equipas têm de seguir para a plataforma, o Ocean King, ao largo da costa italiana, pelo que percebi, no dia 25 de manhã. Logo, terei que estar numa cidade costeira em Itália, Ravenna, de onde sairei nesse dia 25, na noite anterior. A de Natal, essa mesmo...
Apesar de estar praticamente confirmado, resta ainda a hipótese de atrasos nas operações e, dessa forma, um adiamento na data da viagem. Eu estou a pedir ao Universo, acreditem!!
A GeoloG lamentou a situação e prometeu providenciar um jantar de Natal à maneira, lá mesmo em Ravenna! Não me fio nisso, mas também não me conquistam com esse gesto!
Bem sei que, quando comecei neste trabalho, poderia passar os feriados, aniversários e outras celebrações fora de casa, mas é triste ter que ir logo na véspera de Natal... Bem, também não é nada que não se ultrapasse, sei que aqueles de quem gosto vão estar a pensar em mim e eu neles!! O dia-a-dia é mais importante do que só aquela noite em particular, apesar de ir perder o bacalhau, as filhoses, outros doces e a partilha de presentes!!
De qualquer forma, desejo um Feliz Natal a todos e, se não voltar a este espaço antes, que 2008 seja um ano em grande para nós todos!!
Update: É bom pedir coisas ao Universo!!! Recebi esta manhã a informação que as operações estão atrasadas. Por esse motivo, a viagem foi adiada, possivelmente para dia 26. Como diz o Director de Operações: "Xmas is saved!"!!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Pavia e os Alpes

A minha última viagem foi a Pavia, na semana passada. A estadia foi curta, apenas de 3 noites, pelo que não explorei grandemente a cidade. Além disso, como o curso ocorreu numa aldeia a cerca de 30 minutos de carro do centro da cidade, onde se localizava o Hotel em que fiquei hospedado, chegava sempre quando já era noite, pelo que os passeios nunca foram muito longos.
Mesmo assim, ainda dei umas voltas, tendo percebido que Pavia é uma cidade jovem, em termos de população. Isto dever-se-á ao facto de ter uma Universidade. Na noite de Domingo, o comboio que nos levou a Pavia ia a abarrotar de estudantes que viriam de outras partes do país.
Os pontos mais importantes da cidade, além da Universidade, são o Castelo, de traços medievais, bem como uma ponte coberta, da mesma época. A ponte tem ainda uma característica singular: no centro, está construída uma capela.


A rua principal, pelo menos a de maior movimento, parte, precisamente dessa ponte, e está repleta de lojas. Pelo que entendi, será uma espécie de Rua de Santa Catarina lá do sítio... Também é nesta rua que se encontra a entrada principal da Universidade.

A última noite foi novamente passada em Gallarate, depois de duas viagens de comboio, de Pavia a Milão e de Milão a Gallarate. No dia seguinte, e antes da viagem de regresso a Portugal, tive a oportunidade de fotografar os Alpes, desde o aeroporto de Malpensa. Neste altura do ano, a brancura já se instalou, apesar de as encostas a Sul não estarem totalmente alvas...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Curso de sobrevivência

Na semana passada, tal como havia anunciado, estive em Itália a frequentar um curso de sobrevivência, especialmente criado para quem vai começar a trabalhar nas plataformas petrolíferas.
O investimento em segurança é grande, por parte das companhias que estão envolvidas nesta indústria, por isso, este tipo de cursos são fundamentais para nos ambientarmos com os perigos que o trabalho envolve.
Durante o curso, tive a oportunidade de aprender e praticar a extinguir fogos, utilizar máscara e botija de ar em espaços reduzidos, pouco iluminados e com fumos, evacuar uma plataforma em botes salva-vidas e directamente para o mar, com coletes, como sobreviver dentro de água em condições extremas e, no final, como reagir e agir, no caso da queda na água do helicóptero que nos transporta.
A utilização dos aparelhos necessários para todas estas emergências foi devidamente explicada e treinada, bem como foram evidenciados todos os cuidados e regras que devem ser cumpridos no exercício da nossa actividade.
Este curso foi realizado num centro de treinos perto de Pavia, chamado de APT Antincendio.
Os participantes no curso eram trabalhadores nesta indústria, nas mais variadas funções. Todos os que executam serviços nas plataformas estão obrigados a receber formação e a obter os respectivos certificados.
Estes dias passados neste curso foram por mim bem aproveitados, quer pela aventura, quer pela responsabilidade que este tipo de formação acarreta. Não devemos pensar que é apenas divertido estar a escapar de helicópteros a afundar ou plataformas em chamas, mas sim que tudo devemos fazer para evitar fatalidades ou, em último caso, para tentar salvar as nossas vidas. Por mais que achemos que os acidentes só acontecem aos outros, é sempre bom estar preparado para qualquer eventualidade. Por isso mesmo, fiz questão de encarar este curso com seriedade, tentando compreender os procedimentos a tomar em caso de emergência, bem como as consequências das nossas acções, a cada momento.